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15 anos de Rock in Rio Lisboa em 15 histórias épicas

Das medições no mato a vender bilhetes da Carris, Roberta Medina fez tudo. O festival estreou-se em Portugal a 28 de maio de 2004.

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Quando o pai lhe disse para vir produzir o primeiro Rock in Rio Lisboa, Roberta Medina nem teve bem noção da responsabilidade que tinha pela frente. “Fiz a mala e vim. Tinha aquela tarefa para cumprir, simplesmente isso”, recorda à NiT. Aos 25 anos, aterrou em Portugal com a ideia que lhe tinham vendido — que tudo estava degradado, parado no tempo — e ficou aterrorizada quando entrou pela primeira vez no Parque da Bela Vista e foi recebida por mato que lhe dava pela cintura.

Da história de não ter conseguido comprar uma fita métrica e do facto de ter passado uma semana a medir o recinto com uma fita de quatro metros já toda a gente ouviu falar. O que poucas pessoas sabem é que a vice-presidente executiva do Rock in Rio esteve a festa inteira de apresentação daquela primeira edição, no Coliseu dos Recreios, a fugir das pessoas porque não conhecia ninguém; que a equipa começou por ocupar três quartos do Hotel da Lapa porque ninguém pensou que seria mais fácil arrendar um escritório ou que ela caiu de um cavalo dois dias antes do festival de 2010 mas esteve o evento inteiro a ligar para os produtores da SIC, um dos parceiros oficiais.

As portas da Cidade do Rock abriram pela primeira vez a 28 de maio de 2004 com um concerto de Paul McCartney. Até esse dia, Roberta, o pai (Roberto Medina) e todo o grupo que veio do Brasil — onde este sonho megalómano nasceu em 1985 — ouviram centenas de vezes que o que queriam fazer era “impossível” e que eram “malucos”. No entanto, o evento tem regressado sempre, de dois em dois anos, e, para celebrar os 15 anos, 2019 tem também uma série de iniciativas que já estão a acontecer, desde uma gigantesca arena de jogos na Cordoaria Nacional a três dias de festa em setembro na Torre de Belém.

Para assinalar esta data, Roberta Medina recordou à NiT 15 histórias incríveis que marcaram a primeira edição do Rock in Rio Lisboa e também alguns episódios mais épicos dos últimos anos. Além disso, mostramos-lhe fotos que comparam o festival de 2004 e o evento mais recente, de 2018, e explicamos-lhe o que está previsto para os próximos meses.

Um festival no meio do mato?

Olhando para os pórticos azuis que delimitam a entrada no Parque da Bela Vista, a primeira memória de Roberta Medina não a leva de volta a 28 de maio de 2004, o dia inaugural do Rock in Rio em Lisboa, mas assim a 21 ou 23 de maio de 2003, quando, acabadinha de chegar do Brasil, ali entrou pela primeira vez. “O meu pai já estava cá, tinha fechado as primeiras parcerias, os patrocinadores. O RiR já estava confirmado e eu vim para fazer a produção.” Apesar de ter um avô português, Roberta nunca tinha estado em Portugal e aquilo que imaginava era a ideia que lhe tinham vendido: “Era quase a Ribeira do Porto antes de ser recuperada. Lembro-me de descer a Avenida Gago Coutinho e perceber: ‘Enganaram-me. Isto é igual ao que eu conheço, não tem nada de diferente.”

Até aí, Roberta Medina só tinha trabalhado num Rock in Rio até então. Tinha apenas 25 anos. Roberto, o pai, estava muito empolgado para lhe mostrar o terreno onde o festival iria acontecer em Lisboa. “Eu e o Walter [Ramires], que era o nosso engenheiro responsável, chegámos e parámos aqui [na entrada do recinto]. Não havia piso bonito, não havia pórtico, era mato pela cintura. O Roberto todo feliz: ‘Vai ser aqui.’ E nós: ‘Como assim?’ Foi o pânico absoluto. Ele ficou super mal-humorado por nós acharmos que era uma maluquice.”

A primeira edição.

Medir o parque inteiro com uma fita métrica partida

A Câmara Municipal de Lisboa estava envolvida no projeto desde o primeiro dia e todos sabiam que era necessário fazer uma data de intervenções, nomeadamente no sítio onde fica o palco mundo, onde era preciso abrir um vale. Roberta e Walter passaram uma semana a fazer medições no local para perceber o que era necessário mas, antes, tiveram de ir comprar uma fita métrica. Ou tentar, pelo menos.

“Eu estava num hotel a dois quarteirões do El Corte Inglés mas não sabia que aquilo existia ali. Tentámos comprar uma fita numa loja pequena. Nós falávamos e o senhor da loja não percebia, porque no Brasil chama-se trena. Foi muito parvo porque nem sequer tentámos encontrar um segundo sítio. O Walter é muito ansioso e quis vir com uma fita métrica que tinha, só que era pequena. Andámos os dois a semana inteira com mato pela cintura e uma régua de cinco metros que eu estraguei assim que puxei pela primeira vez. Contávamos então de quatro em quatro metros. Eu atirava a fita para cair nos pés do Walter, ele marcava o local, eu andava até ele. Foi ridículo. A única coisa que sabíamos onde ia ficar era o palco mundo. Foi um pouco pateta mas o que é certo é que até hoje os alicerces são os mesmos.”

O mítico pórtico nasceu de um concurso

É provável que pouca gente se lembre da entrada do Parque da Bela Vista sem a imponente estrutura azul mas antes do Rock in Rio ela não existia. Nasceu graças a um concurso promovido pela Câmara Municipal e o tema foi a música. “Acho que a maioria não sabe o que ele significa. São as frequências, as barras do som. Foi essa a inspiração que a arquiteta teve”, recorda Roberta Medina.

Além da entrada, a vedação do espaço foi trocada, a organização do evento construiu ciclovias e um skate parque e fez um acesso a partir da rua principal para um café dos prédios em frente. Nos anos de festival, há muitos moradores da zona que se juntam ao Rock in Rio e “até já temos uma disputa da equipa para levar pessoas daqui para o Brasil porque funciona super bem”. Há ainda uma horta comunitária ali perto. “Queremos ver se o restaurante começa a comprar esses produtos”, explica. O restaurante há-de abrir entretanto na casa que a empresa reconstruiu na última edição do Rock in Rio, em 2018, e que fica dentro do recinto. A ideia é que o espaço funcione pelo menos durante os meses de verão.

Escritório? Qual escritório?

Quando Roberto Medina chegou a Lisboa, ficou instalado no Hotel da Lapa [Olissippo Lapa Palace Hotel] e todo o planeamento passou a acontecer ali. “Tínhamos três quartos lá e foi a mesma história da fita métrica. Porque é que ficámos instalados num hotel se, com a mesma verba, dava para alugar um escritório? Não sei explicar porquê, o facto de não conhecermos o País é muito estranho”, recorda Roberta.

Num dos quartos, o hotel tirou a cama, colocou uma mesa de reuniões e assim transformou o espaço numa espécie de escritório. “Os primeiros meses de RIR foram no quarto 200 do Hotel da Lapa. Quando havia uma reunião, saía toda a gente e ia para os outros quartos. Sentava-se na cama, no chão para trabalhar, era um caos. Éramos umas 20 pessoas.” Acabariam por se mudar depois para uns escritórios na Av. António Augusto Aguiar, primeiro ocupando um andar só, depois dois.

“Isso é lá no Brasil, não vai funcionar em Portugal”

Deve ter sido o que Roberta Medina mais ouviu nos primeiros meses em Portugal. “Havia muito essa ideia de que o Rock in Rio era mainstream. Aqui em Portugal os festivais eram mais de nicho, então disseram-nos que éramos malucos.”

A Vodafone foi uma das primeiras marcas a envolver-se no projeto mas também teve desconfianças. “Na altura, o presidente da marca virou-se para o Roberto e disse: ‘O que é que me garante que você vai cumprir o que está a prometer?’ O Roberto pára, olha para ele e responde: ‘E o que é que me garante quando eu compro um telemóvel seu que ele vai funcionar?’ É confiança, claro. Eles fizeram uma aposta super arriscada mas funcionou.”

Em 2004 o pórtico ainda não era azul.

Destruir a Bela Vista para fazer de novo

O projeto foi preparado com a Câmara Municipal durante 11 meses. Já havia as estradas que existem atualmente mas não as infraestruturas. Num festival não se vêem cabos — por isso, era necessária uma intervenção gigantesca para os sistemas de água, esgoto, luz, som. O contrato foi fechado em 2003, só que os camiões só começaram a entrar no recinto para a obra em janeiro de 2004, quatro meses antes de abrirem as portas. “Foi um desespero mas, felizmente, em dois meses fizeram as infraestruturas e depois começámos a montar as coisas.”

Roberta Medina tinha trabalhado num Rock in Rio em condições completamente diferentes, num terreno plano. “O Walter dizia que tínhamos de passar umas tubagens para passar cabos, etc, mas da maneira como ele dizia aquilo, eu imaginava que era um buraquinho ao lado da estrada e que iam passar os cabos lá dentro. Quando eu chego aqui no primeiro dia de obra, este bocado aqui [aponta para um pedaço de alcatrão onde a emenda é ainda percetível] tinha seis metros de profundidade, a rua não existia, era um buraco. Eu disse: ‘Walter, o que é isto? Onde está o tubinho?’ Foi tudo destruído e reconstruído. Na verdade, quase não tocámos nos espaços verdes mas os arruamentos foram todos mexidos.”

“Muito tempo” para pensar na segurança

“Nós vínhamos do Brasil e lá a realidade exige um investimento maior em segurança física, no terreno. Então, percebi rapidamente que eu não podia fazer um plano de segurança porque ia errar. Precisávamos do conhecimento de cá.” O Rock in Rio tinha então uma parceria com a promotora Ritmos & Blues e Roberta Medina trabalhava de forma muito próxima com Álvaro Ramos. “Ele era a minha fonte de informação, íamos pensando e construindo as coisas juntos. Pedi-lhe para chamar a empresa de segurança para conversarmos. A primeira vez que falámos sobre isto foi em setembro de 2003. Naquela época, como eu estava a gerir a empresa de eventos no Brasil, eu ia e vinha a cada 15 dias. Cada vez que eu voltava, perguntava: ‘Então, Álvaro, já falou com a empresa de segurança?’ Ele respondia: ‘Já vou falar, na semana que vem.’

Esse foi um dos grandes choques quando a equipa brasileira se mudou para Lisboa. “Toda a gente questionava porque é que estávamos a planear um festival com um ano de antecedência. Com o Álvaro, foi assim até março. Ele ficou muito amigo do meu sócio, o Leonel, e em março eu olhava para o Leonel e dizia: ‘Eu vou matá-lo.’ Eu não queria fazer o planeamento porque ia correr mal mas ele estava desde setembro a adiar. Deu-me um ataque de perereca [como um ataque de fúria]. Ele acabou por tratar de tudo e correu bem. Até hoje rimo-nos disso.”

Uma miúda a mandar

Em Portugal, algumas pessoas tinham acompanhado transmissões de 1991 no Maracanã mas o Rock in Rio não era um conceito conhecido pela maioria. Ainda assim, a marca entrou no mercado bem apoiada pela Câmara Municipal de Lisboa, por uma série de marcas parceiras mas também a SIC, outra parceira oficial, ou a rádio.

“Quem fez os primeiros meses de contactos foi o Roberto. Quando eu cheguei para fazer produção, obviamente que havia quem olhasse para mim e dissesse: ‘Oi?’ Só que eu tive uma grande vantagem: era só eu aqui — e o Walter vinha muito comigo. O que eu costumo dizer a brincar é: ‘Se alguém tinha algum problema por eu ser nova, por ser mulher, volta para casa, resolve e fala comigo.’ Não havia alternativa e é óbvio que isso facilita imenso. Se tivesse o meu pai, um sócio, a responder em paralelo, eu perderia a credibilidade.

Em 2006 já havia sofás insufláveis.

Engenheiros e doutores

“No Brasil, eu mal decoro o nome das pessoas. Cheguei aqui e era ‘engenheiro, senhor doutor, etc. Eu pensava: “Isso não vai dar certo nunca.” Roberta Medina ia para as reuniões de segurança pública e chamava comandante ao coronel, superintendente ao comandante, era sempre uma confusão. “A dado momento pensei, vou aproveitar que sou nova aqui, brasileira, o povo acha que eu sou maluquinha e vou nessa. Tirei os cargos todos e falava com as pessoas de forma descontraída, comecei a fazer brincadeiras porque era pior eu trocar os cargos do que chamar a pessoa pelo nome. Por ser nova também, eu não era uma ameaça para ninguém, era uma personagem engraçada. Tinha uma madeixa de cabelo azul — hoje olho para as fotos e não sei como saía à rua daquela maneira, a madeixa desbotada, nem me maquilhava”, conta à NiT.

No meio do Coliseu sem conhecer ninguém

A festa de lançamento do primeiro Rock in Rio aconteceu no Coliseu dos Recreios, em Lisboa [em outubro de 2003], e Roberta Medina confessa que esse foi um dos momentos em que se sentiu mais constrangida. Era um evento de gala, com smoking, um espetáculo de Ivete Sangalo e Rui Veloso. “Não fazia a ligação com as marcas, até ali estava a trabalhar com a Câmara Municipal. Era uma das donas do festival e andava pelos cantos do Coliseu para não ter de dar de caras com as pessoas, porque eu não conhecia ninguém. Queria fugir.”

Já no evento voltou a sentir o mesmo. “Um amigo meu até dizia: ‘Olha a confusão que vocês vieram fazer em casa dos outros.’ Acabou por ser muito especial porque vieram muitos amigos do Brasil. Foi um evento incrível para o País mas acaba por ser também um investimento muito pessoal.”

O palco mundo foi renovado em 2008.

A Rock Street nasceu da necessidade de ocupar um espaço

Na primeira edição do festival ainda não havia Rock Street, aquela zona cheia de casas com fachadas coloridas, onde há marcas, músicas e atividades a acontecerem a toda a hora. O conceito nasceu no Brasil em 2011 porque, quando o Rock in Rio voltou ao Rio de Janeiro após dez anos de de pausa, o novo terreno tinha um braço muito estreito. “Olhávamos para aquilo e não sabíamos como ocupá-lo. Foi então que o Roberto, apaixonado por Nova Orleães, em Nova Iorque, inventou esse conceito. Nova Orleães foi o tema da primeira Rock Street, onde a música, a arte na rua, tudo acontecia muito perto do público. Depois já foi Grã-Bretanha, Brasil, África e a próxima é Ásia — vai ser linda.” Ainda assim, não é 100 certo que em Portugal, em 2020, o tema se mantenha.

Tudo a vender bilhetes da Carris

O Rock in Rio incentiva a utilização de transportes públicos e a estação de metro da Bela Vista fica relativamente perto. Em várias ocasiões, os funcionários do Metro de Lisboa aproveitaram os dias do evento para apresentar reivindicações. “Em 2012, greve do metro. Nesse ano tudo indicava que não haveria circulação no horário alargado — no horário normal, tudo se mantinha — para as pessoas saírem do evento. Houve muitas conversas mas, na noite anterior, fomos informados que afinal haveria metro.” Foi então cancelado o plano B que já estava a ser estudado e envolvia alternativas através de autocarros da Carris.

“Abrimos portas na sexta-feira, primeiro dia do evento, liga o diretor do Metro: ‘Roberta, não sei como te dizer isto mas não vai haver horário alargado.’ As pessoas já estavam no evento, já estavam a vir para cá, como é que eu ia explicar que não iam poder regressar da mesma forma que tinham vindo. Aí, a Carris montou uma operação de última hora, convocando motoristas, para tirar milhares de pessoas daqui. Um dos maiores desafios de fazer essa operação de saída — chegar, as pessoas chegam aos poucos, para sair é quase tudo ao mesmo tempo —, além de termos feito comunicação interna, sinalização, é que, se o público sai diretamente, vai entrar nos autocarros sem pagar, então como é que se paga essa conta? Tínhamos de vender bilhetes antecipadamente.”

Roberta convocou a equipa e toda a gente que não estava a fazer coisas urgentes distribui-se pelo recinto para vender bilhetes. “Na saída estávamos todos aqui [aponta para uma zona junto ao pórtico], incluindo eu, a vender. Só que foi depois da segunda edição dos “Ídolos” e várias pessoas chegavam para tirar fotografias. A dado momento, a produção disse-me: ‘Roberta, chega mais para lá que estás a atrapalhar o fluxo de venda.’”

A primeira Rock Street, de Nova Orleães.

A queda do cavalo

“Uma das coisas que me leva à loucura é que, se quisermos divulgar que a Ivete Sangalo pediu M&M’s para o camarim, isso sai em tudo quanto é canto; mas, se quisermos contar que estamos a fazer um investimento brutal numa área social, isso tem um espaço minúsculo.” Em 2006, a marca fez um grande investimento de compensação de emissões ao plantar 19 mil árvores na Tapada de Mafra. Quatro anos depois, as árvores estavam a crescer. “Eu, nessa minha revolta de querer mais visibilidade para as causas que nós trabalhamos, pensei: é isso, vamos fazer uma conferência de imprensa na Tapada para mostrar os resultados. Fomos com os militares, entrou toda a gente em camiões e subiu até ao ponto onde estavam as árvores. Alguns militares subiram a cavalo. Quando chegámos lá acima, como sabem que eu gosto de cavalos, começou toda a gente a dizer: ‘Roberta, sobe para o cavalo para fazer uma foto.’ Lá vou eu na maior galhofa e começam os erros. Subo à égua — que só descobri que era uma égua depois — e o estribo estava largo mas eu pensei: ‘Vou ali virar e vou andar para cá para tirar uma foto, não vou andar a cavalo.’”

Aí teve uma “falha de corrente nos neurónios”, descreve à NiT, e sem perceber porquê deu um toque com o pé na égua. O animal arrancou disparado floresta adentro e Roberta Medina seguiu descontrolada em cima dele. “A equipa que estava no local demorou uns segundos para perceber que aquilo não era muito normal. Durante aqueles momentos, a única coisa em que eu pensava é que tinha de ficar em cima da égua. Puxava as rédeas mas, como não tinha força nos pés, não conseguia travá-la. Pensei em atirar-me para o chão mas ela ia tão depressa que iria contra uma árvore. Eis que surge uma casa e um portão vermelho. Do outro lado havia uma estrada com carros. Aí fiquei apavorada e parei de raciocinar. A partir daí só me lembro de cair. Caí de costas, parti uma vértebra. Depois contaram-me que, antes de eu cair, ela ia reduzir a velocidade, ia parar, mas eu fiquei com medo de ela saltar e eu cair na estrada.”

Chegou a haver uma mini montanha russa.

No hospital mas sempre ao telefone

Foi levada para o Hospital de Mafra e depois para os Lusíadas, em Lisboa. A queda aconteceu dois dias antes do Rock in Rio, o que significou falhar o festival. “Fiquei de colete um tempo mas tive muita sorte, tinha a família toda aqui, a minha mãe tinha acabado de chegar, recebi milhões de flores. Quando comecei a caminhar, andava de quarto em quarto no Hospital de Mafra a distribuir flores. Assisti pela primeira vez ao festival pela televisão mas estava sempre a ligar para a SIC a chatear: ‘Não estão a mostrar a roda gigante?’ Só mostravam os concertos e eu sabia que era importante mostrar a experiência, o público, quando não mostravam eu ficava indignada.”

A desistência de Korn e o cancelamento de Ariana Grande

Em 2016, depois de um problema no equipamento de Korn e de a banda ter abandonado o festival sem fazer o concerto, apareceu um novo drama. Às 23h40 de sábado, os assessores de imprensa foram ter com Roberta Medina: “Olha, vimos no Facebook da Ariana Grande que ela está doente.” Começou então uma bola de neve para confirmar a história. Roberta Medina ligou para o departamento artístico, que ligou para o agente, que ligou para o empresário. “Aí, a informação começa a voltar para trás, até mim.” O concerto dos cabeças de cartaz daquele dia, os Maroon 5, já ia a meio e não havia margem de manobra para comunicar nada. O que era certo é que a atuação mais esperada do dia seguinte estava cancelada. “Eu chamei os diretores e ainda brinquei para trazerem umas cervejas porque estava a ser um ano surreal. Quando eu disse o que estava a acontecer foi a gargalhada geral, acharam que era piada.” Ivete Sangalo acabaria por substituir a cantora americana mas nessa noite ninguém dormiu. O exterior do recinto recebeu nova sinalização porque, quem quisesse receber o reembolso, não podia entrar naquele dia. “Felizmente, a maioria veio na mesma. Pouquíssimas pessoas desistiram.”

Em 2003, Roberna Medina andou uma semana a fazer medições aqui.

O ano “não” já não existe

Em aniversários especiais, o Rock in Rio repensa os seus objetivos e renova-se. Foi assim nos 30 anos e é assim em 2019, com os 15 anos da presença em Portugal. Por isso, e pela primeira vez, a marca desdobra-se em iniciativas no ano em que não há festival em Lisboa.

A primeira começa já na sexta-feira, 31 de maio. A Worten Game City instala-se na Cordoaria Nacional até 2 de junho com as maiores novidades do mundo virtual mas também com videojogos revivalistas. “São cinco mil metros quadrados para a família brincar”, descreve Roberta Medina.

De 2 a 5 de julho, regressa a Rock in Rio Innovation Week, que “nasceu da necessidade de querer escutar. É um espaço de liberdade criativa. Temos uma ou outra palestra sobre o RIR mas o resto é aproveitar e crescer juntos.” Nasce da necessidade de querer escutar. É um espaço de liberdade criativa. Temos uma ou outra palestra sobre o RIR mas o resto é aproveitar e crescer juntos.

No universo da música, as Galp Music Valley Sessions juntaram no Capitólio, em Lisboa, artistas brasileiros e portugueses.

E a 6, 7 e 8 de setembro os festejos transferem-se para a Torre de Belém. Haverá videomapping sobre os 15 anos, o “maior fogo de artifício que já houve no Tejo”, orquestra sinfónica e dois concertos. “O palco não vai ter cobertura, o cenário é a própria torre”, revela Roberta. A entrada é gratuita e são esperadas de 30 a 50 mil pessoas.

Quanto ao Rock in Rio Lisboa, a Bela Vista volta a encher-se de atuações, slide, roda gigante, jogos, iniciativas e brindes a 20, 21, 27 e 28 de junho de 2020. Depois disso também não haverá descanso.

“Este ano de interregno ainda estamos a começar devagar mas, em 2021, segurem-se porque aí o bicho vai pegar.”

Fonte:Nit